Aprovação Ambiental

Aprovação Ambiental

Justificativas para a aprovação ambiental

Em 1998 apresentamos um projeto de tratamento de gases para o Cemitério Phoenix Memorial, no ABC paulista, com o objetivo de ser 100% ecológico para a garantia da segurança nas aprovações ambientais e para ter convivência pacifica com a densa comunidade residencial e com vários prédios à sua volta. Na época os cemitérios verticais eram construídos com um pequeno dreno em seu interior ou tinham os gases queimados no telhado, ou ainda o carvão ativo, todos pouco efetivos.

A decomposição tradicional usual até então, se constituía em um processo não natural, e sim, biológico, onde na ausência do ar os micro-organismos anaeróbicos eram os responsáveis pela consumação do corpo, num processo no mínimo desumano.

Com o desafio de apresentar uma solução que respeitasse os corpos, fosse natural, limpa e ecológica, desenvolvemos um processo aeróbico, com a introdução de ar e baixa pressão nos lóculos, para acelerar a evaporação dos líquidos (necro-chorume), assim que formados. A proposta era simples, considerando que a primeira fase de qualquer decomposição é a liquefação e a segunda a evaporação. Bastava, portanto, acelerar a evaporação e tratar os gases resultantes.

Gases como o metano e a amônia são reduzidos na presença do oxigênio do ar, o redutor universal, dentro dos próprios lóculos, já o CO2 e o H2S que não se combinam com o oxigênio, precisavam de um tratamento diferenciado. Criou-se um sistema simples e eficiente, onde um pequeno duto de ar é disponibilizado para cada lóculo e um segundo duto, com capacidade de sucção maior do que a entrada, retira todos os gases produzidos, criando uma depressão projetada, desidratando o corpo e acelerando a decomposição. Todos os gases são levados a uma torre para uma contra lavagem com NaOH (hidróxido de sódio), que quimicamente transforma o H2S (gás sulfídrico) em sulfeto de Sódio e o

CO2 (dióxido de carbono) em carbonato de Sódio, dois elementos totalmente inofensivos para o meio ambiente.

A simplicidade, custo de operação e fabricação, a eficiência e durabilidade, graças à criatividade do projeto, fez com que o sistema, conhecido por “aeróbico de baixa pressão”, fosse implantado em vários outros empreendimentos, obtendo as licenças ambientais em tempo recorde.

Em 2003, o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), cinco anos depois do desenvolvimento do projeto e de sua implantação, com total sucesso, veio por bem determinar os padrões ambientais para todos os cemitérios, com a resolução 335/2003, cujo art. 6° sintetiza o processo desenvolvido, e que reproduzimos:

Art. 6º - Deverão ser atendidas as seguintes exigências para os cemitérios verticais:

I - Os lóculos devem ser constituídos de:

a) materiais que impeçam a passagem de gases para os locais de circulação dos visitantes e trabalhadores;

b) acessórios ou características construtivas que impeçam o vazamento dos líquidos oriundos da coliqüação;

c) dispositivo que permita a troca gasosa, em todos os lóculos, proporcionando as condições adequadas para a decomposição dos corpos, exceto nos casos específicos previstos na legislação; e

d) tratamento ambientalmente adequado para os eventuais efluentes gasosos.

O item a) especifica lóculos impermeáveis, no nosso caso atendido com peças em concreto estrutural, pintadas internamente com tinta clorada ou epóxi, eliminando a porosidade e dando um aspecto muito bom. A vedação da tampa é feita com mastique comercial. Além do custo extremamente baixo, comparado com produtos plásticos disponíveis no mercado, tem durabilidade e confiabilidade excepcional.

O item b) é o ponto forte do nosso sistema, que por operar em baixa pressão, menor do que a atmosférica, faz com que a evaporação rápida do necro-chorume o transforme em gases, sendo estes capturados pelo sistema exaustor, os tratando e inativando. Mesmo que haja uma fratura acidental nos lóculos, vai entrar ar e jamais sair gases.

O item c) confirma o nosso sistema, com a entrada do ar atmosférico, a troca gasosa, e a consequente desidratação dos corpos, no mais rápido, humano e eficiente processo de decomposição de corpos.

O item d) exige tratamento ambiental adequado, atendido em toda plenitude com o sistema que elimina quimicamente os gases perigosos e poluentes, como confirmado com análise química por laboratório credenciado. (Em anexo)

Ficaram obsoletos os sistemas de queima das emanações, filtros das mais variadas espécies, como palha de arroz, palha de aço, pedriscos e o invariável carvão ativo.

Foi consequência natural requerer patente ao INPI em 06/08/2010, para evitar cópias singelas e oportunistas, ainda com o risco de macular nosso produto e invenção. O reconhecimento federal se deu com a emissão da Carta Patente PI 1003115-4 pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). Por se tratar de desenvolvimento criativo, obtivemos no CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura), o reconhecimento de “REGISTRO DE OBRA INTELECTUAL”, com o nº 2348, no processo CF-06008/2018, com a ART 92221220151624225, com validade em todo território nacional, preservando e confirmando nossa criação.

Avaliação do risco de contaminação do solo ou subsolo.

A decomposição de corpos em cemitérios verticais, pelo processo assistido, na presença do ar e baixa pressão, tem por finalidade atender as resoluções CONAMA 335/03 e 386/06. Também ser uma decomposição rápida, limpa, econômica, cristã sem agredir o meio ambiente, nos fatores: solo, ar, ruído e águas, tanto subterrâneas como pluviais.

A contaminação do solo e de águas subterrâneas e pluviais tem probabilidade “ZERO”, porque durante a decomposição o necro-chorume gerado é rapidamente vaporizado, em função da pressão negativa dentro do lóculo, pela presença do ar e pelo calor, próprio da decomposição, naturalmente exotérmica. Esses gases, sugados dos lóculos, são conduzidos ao equipamento denominado INATIVADOR DE GASES, onde através de reações químicas, o gás sulfídrico, o único que exige cuidados, é transformado em sulfeto de sódio, sem potencial poluidor, e os demais gases são dispersos, já abrandados pelo oxigênio, o redutor universal, todos existentes na atmosfera e sem cheiro detectável. Os lóculos, ou jazigos, não têm saída de líquidos ou esgotos

DECLARAÇÃO DE EFICIÊNCIA DO SISTEMA

O PHOENIX MEMORIAL, cemitério que adota essa tecnologia há vinte e dois anos, erigido em área urbana de Santo André/SP, no coração do ABC paulista, tem licença de operação emitida pela CETESB, processo PMSA n° 28.777/1991.

O memorial PAZ ETERNA, em área urbana de Santa Cruz do Sul/RS, em operação há 18 anos, tem Licença de Operação LI n° 039/2012 (renovação), em perfeita harmonia com os visinhos e a comunidade.

O Cemitério Ecológico de Conchas tem as licenças Cetesb n° 64000178 e 64000190

Cemitério em Congonhas do Sul – RS tem licença SSMA n° 8667/2017

Na cidade de Teresópolis – RJ tem licença SSMA N° LI 0140

Pindamonhangaba – SP tem licença CETESB n° 3002599

Curitiba PR – IAP – licença 23.407 prot. 143722120

Licenças concedidas no Paraná, Minas Gerais e Pará.

Na Bahia, em Salvador, o Ordem Primeira de São Francisco.

Em Minas Gerais, São Sebastião do Paraiso e Espera Feliz.

No Rio de janeiro, (10) dez cemitérios, das concessionárias Rio Pax e Reviver usam a tecnologia descrita, assim como Duque de Caxias. Recentemente Cabo Frio e Ilha do Governador.

ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DO CEMITERIO VERTICAL COM TECNOLOGIA AEROBICA DE BAIXA PRESSÃO

O inativador de gases para cemitério vertical é um equipamento que provoca reações químicas entre os gases resultantes da coliquação dos corpos nas câmaras mortuárias com a solução de hidróxido de sódio.

O processo se inicia com a filtragem do ar que entra nos lóculos. Essa fase tem a finalidade de impedir que elementos estranhos, como folhas, poeiras ou insetos, interfiram na decomposição natural dos corpos e é representada no esquema pelo item 1), o filtro propriamente dito e pelos dutos 2). O ar é o da atmosfera, na mesma pressão e temperatura ambiente, apenas filtrado. O item 3) representa o conjunto de todos os lóculos de um cemitério, independente de seu tamanho.

A rede dos dutos que saem dos lóculos, item 4), se agrupam num único tubo que entra na câmara de baixa pressão do inativador de gases. Como o volume da sucção é maior que o da entrada, cria-se pequena depressão no interior dos lóculos, mantida nos padrões do projeto por meio de instrumentos eletrônicos, alterando-se a rotação do exaustor, item 12), ou mecânicos.

O trajeto dos gases oriundos da decomposição tem o sentido ascendente, atravessando o recheio randômico, item 6), cujo objetivo é o aumento da área de contato com a solução alcalina, cujo sentido é descendente. A área de troca é calculada para a transformação do gás sulfídrico em sulfeto de sódio com eficiência de 100%.

Na área do item 5) há a dispersão da solução alcalina sobre o recheio randômico e a captação dos gases lavados e isentos do gás sulfídrico e dióxido de carbono para o lançamento à atmosfera, isentos de contaminantes, cheiro ou agressivos ao meio ambiente.

Os itens 09, 07, 08, são o conjunto de recirculação da solução alcalina, sendo o 09) o deposito, o 07) a bomba química de circulação, o 08) o duto que transfere a solução para a grelha de aspersão. O item 11) é o exaustor que provoca a baixa pressão e retira os gases dos lóculos, levando-os a inativação, e o item 12) é a chaminé que lança na atmosfera os gases tratados.
 

FLUXOGRAMA DO PROCESSO

DESCRIÇÃO DO PROCESSO QUIMICO

Os gases gerados pela decomposição dos corpos são exauridos das câmaras mortuárias e o fluxo destes gases é forçado a passar de forma ascendente pela torre de lavagem e em contracorrente ao fluxo de solução de hidróxido de sódio. A solução de soda é bombeada por intermédio de uma bomba centrífuga, a qual mantém o fluxo contínuo, molhando de forma descendente todo o recheio randômico da coluna de absorção.

Com a área de contato sendo maximizada pelo recheio randômico colocado na coluna de absorção, a reação dos gases provenientes das câmaras mortuárias com a solução de soda cáustica é bastante facilitada e teremos com isso um rendimento elevado na conversão das reações, eliminando os gases nocivos ao meio ambiente, na coluna de absorção adequadamente projetada para as vazões de cada processo.

Principais reações do processo de absorção dos gases

O hidróxido de sódio forma uma forte solução alcalina quando dissolvido em água.

Reação com o gás carbônico (CO2)

A solução de soda cáustica facilmente absorve o dióxido de carbono dos gases proveniente do processo.

A reação química entre a soda cáustica e o CO2 é comumente chamada de carbonatação e é demonstrada na equação abaixo:

2 NaOH + CO2 → Na2CO3 + H2O

Esta reação ocorre em duas etapas. Primeiramente o CO2 reage com a água formando o Ácido Carbônico:

H2O + CO2 → H2CO3

E na seqüência o Ácido Carbônico reage com a soda cáustica para formar o sal de Carbonato de Sódio:

2 NaOH + H2CO3 → Na2CO3 + 2 H2O
Reações com ácidos:O ânion hidróxido faz o hidróxido de sódio uma base forte que reage com ácidos formando água e os correspondentes sais. No caso do processo em questão, o gás sulfídrico, dissolvido na água, forma a solução de gás sulfídrico e na seqüência imediata, a soda cáustica reage com grande conversão para formar o sal de Sulfeto de Sódio:

2NaOH(aq) + H2S(aq) → Na2S(aq) + H2O(l)

Em ambas as reações citadas, a solução de soda cáustica é ávida pelo ácido o que torna as reações com forte tendência de deslocamento para o lado dos reagentes, eliminado os gases tóxicos gerados.

CONSIDERAÇÃO FINAL

O sistema de lavagem proposto nesta patente atende ao artigo 6º da Resolução CONAMA que exige o tratamento ambientalmente adequado para os eventuais efluentes gasosos.

Está descrito o mais ecológico dos sistemas para operação de cemitérios e o único onde todo o processo se dá dentro das suas instalações. Não há necro-chorume ou líquidos para serem retirados ou tratados e depois dispostos na natureza.
 

Péricles Valdir Ferrão

CREA/SP 0600739915